Fala Edu #2 – Meu primeiro jogo no estádio

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1995. Eu tinha 11 anos. Campeonato Brasileiro. Santos x Corinthians. Vila Belmiro. Pra um moleque que só estava acostumado a ver seu time na tv, imagina a minha cara e como eu me senti ao descobrir que veria pela primeira vez meu time no estádio e pela primeira vez meu ídolo (Giovanni) jogando… Fomos em comboio familiar. Meu pai e uns sobrinhos dele, todos adultos e santistas, uns parentes corintianos também adultos e só eu de criança. Eu no meio daquele monte de marmanjo e das lembranças que tenho, só ficava falando em como o Giovanni era bom e craque. Mas aí um desses parentes corintianos me falava: “Dudu, você sabia que o Corinthians ganhou a Copa do Brasil desse ano? A gente tem o Marcelinho. Ele faz gol de falta pra caramba! O Santos não aguenta com o Corinthians!”. Eu tremi. Óbvio! Eu tinha 11 anos e sabia que o Corinthians tinha vencido a Copa do Brasil, porque, como eu disse no texto anterior, eu SEMPRE acompanhei futebol. Mas não me dei por vencido. Falei pra ele que o Santos tava com o time muito forte naquele Brasileirão. DISCUTI com o cara. 11 anos nas costas e já botando bronca.

Chegando na Vila, eu não tinha uma camisa do meu time (meu pai era complicado, pão duro pra caramba pra me comprar um manto). Esse parente corintiano foi quem o convenceu a me comprar uma daquelas camisas que os ambulantes vendem na porta do estádio mesmo. Rapaz, meu olho brilhou. Eu nem ligava que naquela camisa cabiam 2 Dudu’s e meio, e nem que o meu pai ficou reclamando de pagar DEZESSEIS reais nela. Eu tinha uma camisa do Santos, a MINHA camisa, a número 10 do Giovanni, meu ídolo.

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Entramos no estádio e fomos para as cadeiras numeradas. Todos juntos. Santistas e corintianos misturados. Pra mim, normal. Não tinha essa consciência de ódio ao rival que temos hoje em dia. Meu pai dizia que na numerada não tinha briga e que o pessoal se respeitava, mesmo quem torcesse pra outro time. Beleza! Pra mim, tava tudo lindo. Tava com a minha camisa do Giovanni, tava tirando sarro dos primos corintianos, eles de mim e tudo certo.

Eis que Pelé entra em campo pra receber uma homenagem, só vi de longe, mas vi o Rei pela primeira vez na vida. Só olhava pro meu pai e falava “Alá o Pelé, pai! Alá o Pelé! O vô sempre me falou dele!” e meu pai: “Ele jogava demais, filho!”… Depois de um tempo, o Santos entrou em campo (naquele tempo, o gramado da Vila era ó… uma BOSTA!) com “Edinho; Marcos Adriano, Ronaldo Marconato, Narciso e Marcelo Silva; Gallo, Carlinhos, Vágner e ROBERT; GIOVANNI e Jamelli” cantei toda a escalação pro meu pai (já que ele sempre foi santista, mas nunca tão fã quanto eu) e ele disse pra todos: “Ele sabe todo mundo que vai jogar!”. Eu nem ouvi mais nada depois, só fiquei em pé e concentrado como se eu fosse jogar junto. Afinal, torcer é isso, “jogar junto”.

Confesso que o Giovanni não fez uma grande partida no primeiro tempo e que o zero a zero dele me deixou nervoso. Toda vez que o Marcelinho pegava pra cobrar uma falta, os corintianos começavam com “Gol! Gol! Gol! Gol!” e o Edinho (em dia de Pelé no gol) pegava, pra minha alegria… Em determinado momento do final do primeiro tempo, numa falta dele, lembro do estádio meio em silêncio e eu gritei sozinho: “Vai errar filho da &#*#!”. Os corintianos que ficavam abaixo das numeradas ficaram PUTOS olhando pra mim… Mas nada que fosse grave (nada grave porque eu tava um andar acima deles. Senão eu tava é lascado!).

No intervalo lembro do meu pai falando pra eu ficar calmo, que o Santos venceria e que o Giovanni ia jogar bem. Me senti mais calmo, mas ainda tava tenso. Eu não podia dar tanto azar logo no meu primeiro jogo no estádio…

Aí o técnico do Santos na época, Cabralzinho, lança o jovem CAMANDUCAIA em campo no segundo tempo, tirando Vágner. Aí o Santos passou a dominar o jogo completamente. Giovanni voltou pro meio-campo e passou a comandar a distribuição do jogo. Logo, CAMANDUCAIA (MITO!!!) fez o primeiro gol após passe do G10vanni. E o Santos arrebentou no jogo, Robert chutou uma na trave e após outro passe de Giovanni, Gallo acertou um tirambaço bem no ninho da coruja. E aí, meu amigo, eu no alto dos meu ONZE ANOS já comecei a mandar um “CHUPA ÉDSON!!!” pro meu primo. E esses parentes corintianos, vendo que a vaca já tinha ido pro brejo, saíram mais cedo do jogo e nós, os santistas, ficamos lá… Pra ver CAMANDUCAIA mais uma vez marcar outro gol e o Jamelli perder mais outro chutando na trave. Foi um show! Três a zero, fora o baile…

Saí da Vila e voltei pra casa de alma lavada e com a minha camisa ensopada por causa da chuva na Vila, mas radiante! Aquele ano de 1995, foi quando eu realmente me apaixonei pelo Santos, mesmo que após isso, eu tenha tido uma das minhas maiores dores como torcedor. Mas isso fica pra outro texto…

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