Pitacos do Vidane #03 – A Injustiça de ser Justo | FUTIRINHAS

Pitacos do Vidane #03 – A Injustiça de ser Justo


E aí lindos e lindas do meu Brasil varonil, tudo bem? Aqui quem fala é o amado príncipe do futebol, gênio da vida, guru espiritual e sábio guia de todos os leitores, Vidane, também conhecido como Vitinho da Scaleta. Estou realmente engajado no propósito de esclarecer pra vocês um pouco mais sobre o que realmente acontece no mundo da bola, e por isso, retorno na terceira semana seguida à minha coluna que não tem dia certo pra chegar – apenas chega, semanalmente.

Quero falar um pouco sobre as injustiças desse mundo. Desde que eu era criança, sempre ouvi dos meus pais uma linda e correta frase: um erro não justifica o outro. Eles diziam isso pra evitar que o meu temperamento forte falasse mais alto quando alguém me ofendesse, protegendo-me de quaisquer confusões das quais pudesse me meter. E funcionou, na medida do possível.

No futebol, a regra também vale. Em outra visão, Muricy Ramalho disse uma vez que a bola pune. Infelizmente, pela péssima arbitragem presente hoje em dia no Brasil, quem pune não é só a bola. A falta de preparo, de malícia (não no sentido negativo, mas sim na inocência de não saber que nem sempre a justiça é praticada) e realmente de honestidade acabam sujando esse esporte que – sem explicação – luta contra o uso positivo e inteligente da tecnologia disponível para a melhora do mesmo.

O que vimos no último sábado no jogo do Palmeiras e Inter foi um lance comum num jogo de futebol. No desespero, na situação que o seu time se encontra, Barcos (atacante que elogiei no último texto, e continuo considerando bom jogador) utilizou de um artefato malandro (agora sim, no sentido desonesto) para marcar um gol. E o fez. E o juiz validou. A torcida alviverde já ria e comemorava, aproveitando-se de um erro absurdo e grotesco de arbitragem, quando uma pessoa de fora interferiu na situação. O juiz voltou atrás. E se iniciou a polêmica mais vergonhosa na qual já vi um time se meter.

E o que indica a FIFA, entidade máxima do esporte, sobre isso? “Não se deve ter interferência de alguém ou algo de fora de campo nas decisões de arbitragem”. E foi com base nisso que os palmeirenses começaram um movimento nunca antes visto no futebol: o chororô por um acerto de arbitragem invalidando justamente um lance irregular. Esse argumento, sustentado pela – sempre confusa e atrapalhada – entidade máxima do futebol, mostrou-se mais do que uma fraqueza do time alviverde, e sim, um clamor de desespero.

Desespero de quem tem um time limitado, uma diretoria relutante que faz decisões erradas e não pode contar nem com a sorte para ajudar. Daqui a uns meses, gostaria mesmo que os palmeirenses olhassem pra trás e esquecessem que uma vez fizeram esse absurdo de reclamar da aplicação correta e justa da regra do futebol – esta que não é uma indicação inventada pela FIFA, mas sim um conjunto de normas que fundamentam o esporte por si só, dentro ou fora da mesma.

“Mas acertaram contra o Palmeiras, e erraram a favor de não sei quem”. Por favor, galera. Eu disse desde o início que diversos fatores (como a arbitragem deficiente) são os maiores atenuadores dos problemas do futebol Brasileiro – o que não é o caso. O problema é o torcedor palmeirense colocar, acima da honestidade, o próprio bem. Se o juiz passou por cima de uma indicação – imbecil – da FIFA, para aplicar a justiça, devemos aplaudi-lo (e não julgá-lo) pela hombridade e honestidade, além da coragem de voltar atrás de uma decisão ao reconhecer que estava errado.

Mas o que isso tudo indica é um problema maior ao fato isolado que presenciamos nesse sábado. A teimosia de um esporte julgado como o mais popular do mundo em ficar atrasado – porquê o atraso dá lucro e abre brechas para mais atividades incorretas e desonestas – indica que o uso de tecnologia é mais do que uma comodidade, e sim uma necessidade.

E por que o não a tecnologia? Ora, meus caros amigos, é muito simples. É mais fácil colocar dois árbitros a mais, atrás de cada um dos gols, e aumentar a confiabilidade de julgamento do trio – agora quinteto – de arbitragem, do que colocar uma simples câmera que, além de economizar dinheiro, daria uma decisão correta e indiscutível sobre o assunto. A polêmica dá discussão, discussão abre espaço na mídia, e isso dá dinheiro. Isso sem contar nas falcatruas de idoneidade moral que um simples aparato eletrônico iria eliminar: afinal de contas, como é que iriam poder dar uma mãozinha (sem trocadilhos com o Barquetolas) para qualquer time que seja, se a câmera mostrasse a verdade?

Por isso, vemos a evolução do tênis, do futebol americano, e de diversas outras modalidades que utilizam câmeras e o avanço tecnológico em prol da justiça e do espírito esportivo, sem tirar um pingo da emoção que envolve as mesmas, enquanto o nosso amado esporte permanece estagnado numa posição que confia na coisa mais inconfiável do mundo: o julgamento humano.

O mesmo julgamento humano capaz de subir o Fluminense da Série C diretamente para a Série A em 2000 (e nunca mais pedir para que voltasse), e de mandar voltar tantos jogos do Corinthians em 2005, permitindo que o campeonato de 87 perdesse o título de torneio mais bagunçado já organizado pela nossa amada Confederação Brasileira de Falcatruas. Um julgamento que, caso falhe, é desbancado quase que imediatamente por qualquer emissora de TV que produza não mais que dois pontos no ibope (a não ser na Fox Sports, lá o gol do Barcos foi de cabeça).

Aos palmeirenses, que não usem mais o argumento estúpido da FIFA como razão para sobrepor a honestidade e a justiça – um erro não justifica o outro, meus amigos. Sei que a sensação de falta de sorte – a injustiça de nem sempre a justiça ser aplicada da mesma forma para todos – é grande, mas que isso não os deixe abater. À FIFA, fica a esperança que um dia coloquem o dinheiro em segundo plano e se preocupem com o que deveriam desde o início – o futebol, e nada mais.

E aos jogadores e treinadores (em especial ao Gilson Kleina, que disse ter sido “sem-vergonhice” o delegado auxiliar a arbitragem, e ao Barcos, por motivos óbvios) fica um apelo para que façam apenas os seus trabalhos, e deixem a arbitragem fazer a dela. E a arbitragem brasileira, fica o meu lamento. Pelo despreparo, por todos os que lá faltam com a honestidade e pela falta de hombridade de muitos ali presentes.

Por fim, ao árbitro Francisco Carlos Nascimento, ficam os meus ‘parabéns’. Parabéns por ter colocado a justiça e a honestidade acima de qualquer indicação babaca vinda de cima ou de baixo. Se todos nossos árbitros agissem da mesma forma, podem ter certeza que muito da tendenciosidade (muitas vezes evidente) iria ser evitado. Se é culpado de algum crime, caro Chicão Carlota “Birth”, é pela injustiça de ser justo num meio onde poucos o são. E esse é um crime que eu gostaria muito de cometer (e, porque não, de ver mais gente cometendo).

E que fique um grito, às gerações futuras de futebol: os saudosistas que joguem as suas peladas. Os torcedores merecem respeito, e respeito se conquista com justiça e honestidade. O dilema real é que não se deve fazer de tudo para vencer – mas sim, fazer o possível dentro do que é permitido.

Abraços do príncipe. E um beijo pros meus amigos Palmeirenses: acreditem que ainda dá!

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