Pitacos do Vidane #04 – Alguns Dias Duram Para Sempre

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Fiéis súditos, atentem ao jovem de coroa que vos fala.

Hoje é um grande dia. O dia 8 de Julho de 2014 é um dia que ficará marcado nas nossas memórias por sabe lá quanto tempo. Em 1497, Vasco da Gama iniciava a primeira viagem marítima da Europa às Índias ao oitavo dia de julho; em 1975 um sismo atingia Pagan, na Birmânia, e danificou cerca de dois mil templos budistas; em 1889 a primeira edição do jornal americano Wall Street Journal era lançada; em 1998 nascia Jaden Smith, o filho de Will Smith que só faz filme meia-boca (mas que fez um Karate Kid bem maneiro).

Podemos ver que esse dia oito de julho já é, por si só, um dia memorável pra muita gente – mas nada disso nos é relevante. Talvez um único fato histórico seja legal de ser citado por aqui: em 1990, na Itália, foi num fatídico oito de julho que a Alemanha conquistou o tricampeonato mundial de futebol, vencendo a Argentina por 1 a 0.

Ah, a Alemanha. Pela segunda vez na sua história, o Brasil vai enfrentar a Alemanha numa Copa do Mundo no dia 8 de julho de 2014. Um adversário que nunca foi rival se vê batendo de frente com um sonho. Um sonho? Não – está mais pra uma dezena, uma centena, talvez um milhar de sonhos. Pra ser mais exato e repleto de clichês, são quase duzentos milhões de sonhos – tirando alguns Brasileiros que insistem em torcer pra Argentina, Alemanha ou Holanda, simplesmente por não gostarem da CBF (ou da Dilma, ou do Pelé, ou de quem quer que seja).

O Brasil chega a uma semi-final de Copa do Mundo sem seu craque. Sem a mística camisa 10 que consagrou o futebol brasileiro como patrimônio do planeta terra. E com vinte e dois mais que contestados coadjuvantes que se vêem na obrigação de tornarem-se protagonistas. O Brasil, que joga em casa, teria tudo pra ser favorito: só não é ante à Alemanha, seleção repleta de nomes enormes e de jogadores da mais alta classe – que, como Götze, inspiraram-se em brasileiros como Ronaldinho Gaúcho para aprenderem um futebol vistoso e eficiente.

E há quem diga que o Brasil tornou-se a zebra. Há quem diga que o Brasil, com cinco títulos mundiais, jogando em casa, sente o desfalque de seu melhor jogador e de seu capitão – que até a semana passada era contestado por derramar lágrimas num momento decisivo – e chegou até onde poderia chegar.

Entretanto, essa Alemanha marcha ao Mineirão como fizeram 15.000 soldados cristãos em 1099 em direção à Jerusalem, também num 8 de Julho, buscando ajuda divina na conquista da cidade. Por que? Porque eles precisam de ajuda divina. Afinal de contas, eles estão enfrentando uma seleção cinco vezes campeã do mundo, em casa, com uma motivação mais que especial para vencer: dar de presente à um merecidamente mimado garoto de 22 anos, que teve seu sonho roubado – ou, como prefiro acreditar, modificado – uma Copa do Mundo.

Em 2011, o ônibus espacial Atlantis fez seu último vôo e decretou o fim da era dos ônibus espaciais da história da NASA, também num oito de julho. E, hoje, o sonho alemão e o brasileiro irão disputar o espaço sideral uma última vez em 2014. E enquanto o alemão se enche de esperança, o brasileiro procura desculpas: falta Neymar, falta Thiago Silva, falta entrosamento, movimentação…

Podem procurar e desculpa que quiserem. Eu prefiro confiar no gigante que é a seleção brasileira para o mundo todo – talvez, exceto para o Brasil. Somos gigantes, e insistimos em andar corcundas, talvez numa pífia tentativa de nos misturarmos à multidão.

O dia 8 de Julho de 2014 já é um dia que entrará para a história do futebol. Agora, quem sorrirá e quem chorará ao lembrar-se dele, só o tempo é capaz de dizer.

Mas falta pouco tempo. Falta pouca copa. E há muito a se fazer.

Abraços do Príncipe.

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