Invasão Corinthiana - CUMBICA em dia de Pacaembu | FUTIRINHAS

Caiu na Área #48 – Cumbica em dia de Pacaembu

Por Leonor Macedo

Eu não ia. Já tinha desistido, mas lá pelas 21h30 mandei meu filho colocar uma camisa do Corinthians e o sorriso dele me mostrou que eu tinha feito a coisa certa. Partimos em direção …

 …ao Aeroporto de Cumbica naquela segunda-feira e em 10 minutos estávamos na Penha. Da Pompéia à Penha em 10 minutos. E ali, na Ponte Nordestino, o trânsito parou. Não é coincidência: 90% dos Nordestinos de São Paulo são Corinthians! E mais da metade dos paulistanos é Corinthians, logo, era óbvio que teria um trânsito no dia em que os corinthianos se despediriam do time, embarcando para o Japão. Mas o trânsito não andava e o olhar aflito do Lucas me dizia que não chegaríamos ao aeroporto. O Lucas roía o cinto e me perguntava algo de dois em dois minutos:

– Estamos perto do CT do Corinthians?
– Por que você não pega a pista da direita?
– Por que você não pega a pista da esquerda, mãe?
– Será que vai dar tempo?

E a aflição dele era a de todas as pessoas nos carros. A maioria, de corinthianos, com camisas e bandeiras em uma grande carreata, na esperança de dar tchau e mandar a sua energia, porque a maioria não conseguirá ir. Foi nosso momento mais perto do Japão. De dois em dois segundos passava um motoqueiro gavião e um rojão estourava no ar. E devagarinho a gente andava. E andava mais um pouquinho e chegava perto do CT.

Quando passamos pelo Centro de Treinamento do Corinthians, milhares de corinthianos agitavam as suas bandeiras e se juntaram conosco, no trânsito. De bicicleta, a pé, de moto, de carro, de van, de ônibus. E como se Deus fosse realmente corinthiano, daquelas sortes inexplicáveis que só tem quem não torce pro time de verde, a polícia fechou o trânsito. Lucas soltou um muxoxo, mas eu expliquei para eles que só tinha um motivo para aquilo: que o time do Corinthians ia sair do CT justamente naquele momento, quando, por uma incrível coincidência dessas de minutos e segundos, passávamos lá na frente.

Os rojões, as bandeiras, as buzinas e os gritos de VAI CORINTHIANS cortaram a Ayrton Senna e nos acompanharam até o aeroporto. E lá um mundaréu de gente transformava a escada rolante em arquibancada, o mezanino em alambrado, o saguão em invasão de campo. Era mais uma casa nossa.

Quando eu vi o Lucas boquiaberto, com os olhos brilhando, sem acreditar no que estava vendo, eu soube que estávamos fazendo parte de mais um capítulo emocionante da história do Corinthians. Em tempos de modernização e exclusão, de mudança do perfil da torcida, são raros os momentos que podemos mostrar para essa nova geração o corinthianismo. Até para a minha geração é difícil. Aquele momento em que a gente pode se orgulhar ao máximo, que nada tem a ver com título, camisa nova, jogadores de peso. Tem a ver conosco. O momento de mostrar que nada é mais importante para o Corinthians do que o corinthiano. Do que o Lucas! Do que a gente!Não sobrou nenhum extintor cheio no aeroporto. As cédulas de aposta da lotérica viraram uma bonita chuva de papel picado para quem estava lá. O chão do mezanino tremeu e os sinalizadores queimaram, no meio do saguão. Não ficou ninguém lá dentro que não fosse corinthiano. Imagens que o Lucas levará para o resto da vida, de um dia que valeu a pena gostar de futebol. Cumbica nunca mais será o mesmo, nem nós mesmos.

Hoje eu vou dormir ainda mais feliz! #VaiCorinthians! 

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