Caiu na Área #55 – O dilema de Neymar | FUTIRINHAS

Caiu na Área #55 – O dilema de Neymar

Lá do Canelada

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Na segunda-feira (29/04), no aniversário de 10 anos do programa Bem Amigos do canal global fechado Sportv, Galvão Bueno e sua turma receberam ilustres convidados, como: Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno e o ex-técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, que acabara de sair da toca.

Como não poderia deixar de ser, em determinado momento os assuntos Copa das Confederações, Copa do Mundo e Neymar vieram à tona.

Quase que por unanimidade, e diante da urgência pelo pouco tempo que resta até a Copa, todos defenderam a tese de que Neymar tem de – isso mesmo, “tem de”, sem talvez – ir pra Europa. E, se possível, embarcar ontem.

As opiniões criaram revolta no comentarista do programa, Alberto Helena Jr, além de alguns santistas como o meu amigo repórter e jornalista, Ademir Quintino, quando relatou em brilhante texto em sua coluna – vale a pena ler.

Sinceramente, eu também discordei da maioria, mas Carlos Alberto Parreira falou, falou, falou, e não falou nada. Aquele velho e bom discurso baseado no futebol de antigamente, estilo do futebol brasileiro, jogar bonito, blá, blá e blá. Chegou a dizer que não imagina o Brasil sem o caneco em 2014 – disse o mesmo em 2006, antes da Copa da Alemanha – eu não me esqueço. Foi tanto blá, que o Arnaldo até pegou no sono.

Pasmem, no ápice do delírio e da falta de argumentos, Parreira usou a moda europeia como fator de convencimento “lá ele vai aprender a se vestir melhor” – Com todo respeito, qual a necessidade do jogador em se vestir melhor se quando entra em campo veste a mesma roupa que os outros? – Moda é produto, consome quem quer. Se Neymar se sente bem com o cabelo do Xororó, qual o problema? É o estilo dele. O que é bonito para você pode não ser para o outro, não é mesmo? Tem até menina que acha ele lindo, vê se pode – Mas eu entendo, Parreira ainda vive no mundo em que se julga as pessoas pelas roupas que vestem e que se joga o futebol naftalina.

Ronaldo, o Fenômeno, foi na mesma onda. Falou pouco, pois prefere mostrar os dentes – não dá pra esconder – com piadinhas sem graça – Passou anos na Europa e não aprendeu a falar até hoje, viu Parreira?

Mano Menezes, o mais lúcido e que se comunica melhor, explicou bem sua tese que defendia desde que assumiu a seleção, quando declarou o desejo de ver Neymar jogando lá fora.

Apesar de não concordar, eu entendi. Mano afirmou que hoje Neymar encontra dificuldades por estar visado e que na Europa aprenderia a jogar em espaços mais curtos e com marcação mais forte.

Repito: eu entendo, mas discordo. Discordo, porque vendo alguns jogos na Europa, em especial os da Champions League, a menina dos olhos dos clubes do velho continente, o “aprender a jogar em espaços menores” se resume a apanhar.

Hoje, no jogo entre Real Madrid e Borussia Dortmund, vi o zagueiro Sérgio Ramos dar três, repito, três cotoveladas no artilheiro Lewandowski sem sequer receber cartão amarelo. O atacante polonês, caiu, levou as mãos ao rosto, reclamou e seguiu jogando – aqui ele seria o “cai-cai” ou levaria um amarelo pra deixar de ser trouxa.

Cristiano Ronaldo, o superastro português, não apanhou como Lewandowski. Mas não conseguiu jogar diante os “espaços menores” que o determinado Borussia impôs, em pleno Santiago Bernabéu.

Messi, o melhor do mundo, ultimamente tem sofrido muito com os “espaços curtos” oferecidos pelos times que aprenderam a jogar contra o poderoso Barcelona – como se tudo que é bom durasse para sempre – Pelé que é o Pelé, o Rei, sofreu muito depois que deixou de ser novidade. Os mais velhos podem confirmar.

Ah, não podemos esquecer do competitivo e valorizado campeonato espanhol de dois times. A menos que os jogos contra os modestos Osasuna e Getafe não sejam comparados aos contra Penapolense e Ituano – Aqui é mole jogar bem e fazer gols neles.

Com isso, resumo que a opinião desses grandes nomes do esporte é, no mínimo, egoísta e mesquinha. Opinião formada somente sobre interesse pessoal e da seleção brasileira. Alguém perguntou para o moleque se é isso que ele quer?

Todos, da crônica esportiva, sem exceção, estão nitidamente preocupados com o futuro da seleção brasileira e um eminente insucesso. E quem será o culpado se isso acontecer? Quem, quem? – Oras, o Brasil sempre tem de ter – isso mesmo, “tem de”, sem talvez – um culpado, não é mesmo Dunga/90? Não é mesmo Felipe Melo/2010? Não é mesmo Barbosa/50? Não é mesmo Bagunça na Concentração/2006?

“Neymar tem de evoluir na Europa, antes que seja tarde demais” – Essa é a síntese que faço sobre todas as opiniões recheadas de nosso patrimônio e histórico complexo de vira-lata.

Pois é, impiedosamente, o Judas de 2014 será um menino de 21 anos. É nele que estão depositadas todas as esperanças do hexa. É ele que será cobrado os 90 minutos de cada partida. É nele que descarregarão, e já estão descarregando, toda a responsabilidade pelo triunfo irrevogável.

Temo por essa pressão. Pois é a pressão que levou Ronaldo a uma convulsão em 98, na França. Na época, Ronaldo ganhava milhões, namorava atriz da Globo e era, simplesmente, o Fenômeno – Muitos ainda afirmam que o craque não suportou e sucumbiu à pressão.

Neymar pagará um preço alto demais por ser quem é. Por ser um diferente no meio de um monte dos mesmos.

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