Coluna do Vasco #2 – Mea culpa? | FUTIRINHAS

Coluna do Vasco #2 – Mea culpa?

Por Lucas Miranda 

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              Para muitos, Autuori chegou como a solução para o Clube de Regatas Vasco da Gama. De fato, é um técnico com outra visão dos demais do país. Com relativo sucesso em sua carreira, pode ser considerado acima da média. Por ter treinado times no exterior, tem uma mentalidade mais tática e que consegue explicar isto aos jogadores. Tem um jeitão diferente e pelo pouco tempo que está no comando do time, conseguiu efetuar algumas alterações ou pelo menos alertar o clube sobre, seja dentro ou fora de campo. Com tudo isso, ele tem uma grande probabilidade de ser um “ídolo” vascaíno.

                Na primeira rodada do Brasileirão 2013, conseguiu fazer com que o time jogasse um futebol que reduz espaços do adversário e controlando a partida. Apesar do adversário não ser um candidato ao título, ou mesmo a uma vaga para a Libertadores, pudemos ver claramente a evolução do time cruzmaltino, que no estadual era um grupo de jogadores com a mesma camisa, perdidos em campo. Mesmo que no geral, nesta partida ter tido uma atuação melhor que as anteriores, o Vasco pecou nas finalizações, como sempre, e fez um segundo tempo muito inferior ao primeiro. Já nas outras duas rodadas subsequentes, esses erros nos levaram à derrota, com uma certa ajuda do apito. Começamos a acumular derrotas e posteriormente teremos empates se o time não reagir e espantar essa fragilidade mental, mas os torcedores colocarão a culpa em quem? Infelizmente, o retrospecto geral do país me faz indicar como “bode expiatório” quem chegou como o salvador e impôs um estilo de jogo ao grupo antes desorganizado. Inacreditavelmente, quando um jogador chuta para fora, deixa o atacante adversário desmarcado ou faz uma falta desleal, a culpa é do cidadão que observa tudo da beira do campo.

                Quando o time vai mal, a torcida clama para que o técnico saia. E isso é um problema cultural no nosso país. Ponto.  Acho que não há outra explicação para acontecer com tanta frequência, e as vezes, tão repentinamente. Como será possível ter um plano de jogo ou de crescimento a longo prazo, se você não sabe se amanhã ainda estará no mesmo emprego? E sem este plano, como ganhar alguma coisa? Vida de técnico aqui no Brasil é difícil.

                Um exemplo recente no Gigante da Colina foi Cristóvão Borges. Um técnico que reergueu um time combalido, que vinha da sua pior estréia no campeonato estadual nos últimos anos, e ganhar a Copa do Brasil — título inédito e que veio num período que o time estava com escassez de troféus— ao lado de Ricardo Gomes, conseguiu terminar em segundo lugar no campeonato nacional — melhor colocação na era dos pontos corridos — brigando até a última rodada com o Corinthians, e no mesmo ano levar a sério uma competição que classificam como Série B da Libertadores, sendo eliminado somente nas semifinais. No ano seguinte, caiu nas quartas de finais na libertadores, em um jogo dramático contra o futuro campeão da competição. E mesmo assim, a torcida pressionou para que fosse mandado embora, e a diretoria cedeu. “Não! Ele que pediu para sair.” Não creio que se a diretoria tivesse garantido que poderia continuar com o trabalho sem nenhum temor, ele tomaria a mesma decisão.

                Sim, no único caneco que ele conquistou, não fora o comandante principal. Sim, nos campeonatos que ele estava a frente do time, ficou no quase. Mas pergunto-lhes, qual fora a última vez que viram o Vasco sair-se tão bem em competições dessa magnitude? E outra, mas não menos importante, foi ele o principal culpado pelos “fracassos”?

Claro que sim! Afinal, como o Cristóvão não consegue fazer aquele gol frente a frente contra o Cássio?! E também perdeu vários gols do Brasileirão 2011, contra o Figueirense por exemplo. Entregou vários gols como aquele contra o Sport, no começo do campeonato. Sem contar que ele não reclamava sobre a arbitragem que nos garfava vigorosamente!

                É isso que muitas pessoas usam ou usaram para pedir a demissão de quem teve coragem de assumir o comando do time, quando não era obrigado a fazê-lo.

                Novamente, peço a todos que entendam que este é o meu ponto de vista e não o considerado a verdade universal.

                “Mas então o que este vascaíno que viveu pouco mais de duas décadas e que “mexe com computadores” tem a dizer sobre isto?”

                Bem, na minha opinião, as responsabilidades do técnico são:  armar o esquema tático, exigir dos jogadores o máximo que podem oferecer, solicitar à diretoria jogadores que ajudem de fato a equipe, analisar quem está em melhor momento ou quem se encaixa melhor na tática proposta em determinado jogo.

                Se o Vasco deixou de ganhar o Brasileirão 2011 ou a Libertadores 2012, foi por culpa dos jogadores que não conseguiram ser decisivos, tanto na frente como lá trás. Aliás, esse é um problema crônico do cruzmaltino até hoje, como dito lá em cima, pudemos ver como os jogadores necessitam desperdiçar cinco chances para converter uma. Então por quê ele não trocou esses jogadores que vacilaram? Bem, ele fez de tudo com o material que tinha em mãos (salvo alguns jogadores que realmente não tiveram tantas oportunidades, como o Chaparro), mas não foi o suficiente. Também solicitou outros jogadores, isso é certo, mas não vieram por incompetência da diretoria. Houve jogadores que não vieram por achar o clube desorganizado, outros por questões financeiras (que também é reflexo da má gestão), jogadores importantes foram embora, dificultando ainda mais a vida do técnico, tudo isso era responsabilidade da diretoria, que não conseguiu oferecer condições satisfatórias para o atleta continuar ou ingressar no clube. Quanto a arbitragem influenciar nos resultados, isso sempre aconteceu e continuará a acontecer, e não é responsabilidade do Técnico reclamar dos árbitros. Se o clube sentir-se prejudicado por tal indivíduo que faz parte da comissão de arbitragem, a DIRETORIA é quem deve se comunicar com a entidade responsável. Aliás, há um post maravilhoso do Márvio dos Anjos, em seu blog no globoesporte.com, que fala que o time avassalador, que joga pra ganhar sem necessitar de terceiros, não teme arbitragem, e que o natural do futebol é 11 x 14 (http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2013/05/22/ignoro-o-juiz-futebol-sao-11-contra-14/).

                Mesmo com tudo isso que foi citado, o clube terminou o Brasileirão de 2012 em 5º lugar, bem abaixo do que vinha lutando até o fim do primeiro turno, é verdade, mas ainda sim superior a melhor colocação em pontos corridos antes de Cristóvão (junto com Ricardo Gomes) ter assumido a equipe. E o que ele ganhou com isso? Os torcedores protestando com fervor para que fosse destituído do cargo. E isso não acontece somente no Vasco da Gama. Muricy Ramalho, tricampeão nacional pelo São Paulo, no verdadeiro sentido da palavra, foi “expulso” pelos adeptos do clube por ter ido mal em uma competição. Tá certo que o estilo de jogo do São Paulo não era o que todos queriam ver, mas se torcedores cobram resultados, não faz sentido incluir isto na lista de reclamações. Até onde sei, ganhar várias competições e perder poucas, é um bom balanço. Pagam aos técnicos o mesmo tanto que os cobram, e digo que em ambos os casos estão errados. Quase sempre, quem ganha jogo são os jogadores, não os técnicos. Dirigentes de clubes, aloquem seu dinheiro onde realmente é necessário ter tanto gasto, por favor. O futebol agradecerá.

                Um fato curioso: antes de contratar Paulo Autuori, Cristóvão Borges foi sondado novamente pelo Vasco, e digo que gostei de ele ter sido racional e ter declinado a oferta. Será que a diretoria se deu conta do erro que fez? E a torcida que pediu sua saída também estava apoiando sua volta (nem todos, é claro), o que prova que brasileiro tem memória curta. E apesar de ser triste, é ainda pior, poque não é só no futebol.

                Pergunto-me quão pobre ficaria a história do futebol se Sir Alex Ferguson fosse técnico aqui. Será que algum clube manteria um comandante que ficou anos sem ganhar um título sequer? Graças ao deus do futebol, que gosta de pregar peças, foi na Inglaterra.

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