Do INFERNO ao CÉU – O Corinthians da Série B até o Mundial | FUTIRINHAS

Do INFERNO ao CÉU – O Corinthians da Série B até o Mundial

Via Testosterona Sports

Texto originalmente publicado no site “A Prancheta”, em 12 de Julho de 2012, logo após a conquista corinthiana na Libertadores da América, e republicado com a devida atualização do título mundial.

Quem conhece e acompanha esse colunista, seja nesse espaço, no blog “A Visão do Jogo” ou no Twitter, sabe bem que nunca fiz questão alguma de esconder meu clube de coração, por julgar que isso não influencia em minhas análises – e quem acompanha sabe bem disso. Dito isso, completo dizendo que não será fácil escrever sobre um dos maiores títulos da história corinthiana sem ser imparcial, sem deixar o coração falar mais alto, portanto, deixo claro que esse texto, é antes de tudo, feito de corinthiano para corinthiano. E também para todos aqueles que amam o futebol, sem deixar que o clubismo exagerado “cegue” sua paixão pelo esporte em si.

Tentarei, nas linhas a seguir, fazer uma analise da reconstrução alvinegra, do inferno da Série B em 2008 até o paraíso da América em 2012. Mas, já aviso de antemão, que se a análise fugir da racionalidade, é o coração preto e branco falando mais alto.

2008 – O início da reconstrução a partir do inferno

Dois de dezembro de 2007 é uma data que corinthiano algum jamais irá esquecer. Certamente, foi um dos piores e mais doloridos dias da minha vida, o dia em que o Corinthians empatou em 1×1 com o Grêmio no Olímpico e acabou rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

O ano de 2008 que tinha tudo para ser trágico, com o time no limbo, virou o ano do renascimento. Com o fim da ditadura de Alberto Dualib e a eleição de Andrés Sanchez, o Corinthians ressurgiu das cinzas. A torcida abraçou o time e mais do que nunca mostrou sua força, apoiando sem parar naquele que era o pior momento da história alvinegra.

Mano Menezes chegou, e com ele, um batalhão de novos jogadores, renovando praticamente quase todo o elenco. Jogadores experientes como Alessandro, William, Perdigão, Diogo Rincón e Beto Acosta, além dos desconhecidos, porém promissores Chicão e André Santos chegaram para o inicio do ano. Após a eliminação ainda na primeira fase do Campeonato Paulista e o vice na Copa do Brasil, perdendo para o Sport na decisão, mais reforços para a disputa da Série B. Os talentosos Elias e Douglas, que vinham de bom campeonato estadual por Ponte Preta e São Caetano, e também Cristian e Morais, dispensados de Flamengo e Vasco, respectivamente.

Com um elenco cascudo e muito trabalho, o time passeou na segundona. Uma campanha impecável, que resultou no título com sobras, alcançando 85 pontos em 25 vitórias, 10 empates e apenas 3 derrotas – 17 pontos a mais que o segundo colocado, Santo André.

Corinthians da Série B em 2008: Início da implantação do 4-2-3-1, com Morais aberto à direita, alternando o lado e o centro. Dentinho espetado do outro lado encostava mais em Herrera, abrindo o corredor para as ultrapassagens de André Santos. Douglas articulava por dentro e aparecia também para concluir, assim como Elias, que subia bem como uma válvula de escape pelo meio.

2009 – A afirmação fenomenal

Ainda no ano de 2008, após o término da Série B, com retorno e título garantidos, o presidenteAndrés Sanchez fez aquela que foi sua maior e mais arriscada manobra, a contratação de Ronaldo, o Fenômeno.

Além de Ronaldo, chegou também Jorge Henrique, que com a mesma habilidade e disposição já demonstradas no Botafogo, logo conquistou a vaga no time titular. Time que foi dono de campanha irretocável no Campeonato Paulista, terminando com o título de maneira invicta sobre o Santos do recém promovido Neymar.

A Copa do Brasil que bateu na trave no ano anterior, também foi conquistada pelo time do Parque São Jorge. E de maneira espetacular. Foram 10 jogos, com 5 vitórias, 4 empates e somente uma derrota. E a decisão contra o Inter, com a rivalidade a flor da pele em razão do Brasileiro de 2005 e o DVD do então presidente colorado Fernando Carvalho, acusando o time paulista de favorecimento. No fim, festa corinthiana em pleno Beira-Rio.

Após a conquista e com a vaga na Libertadores no ano de seu centenário assegurada, começou um desmanche que não deixou com que o time brigasse também pelo título brasileiro. André Santos, Cristian e Douglas deixaram a equipe, que não teve reposição à altura e acabou o ano de forma melancólica, fazendo o papelão de “facilitar” a vida do Flamengo em jogo válido pela penúltima rodada do Brasileirão, tudo para atrapalhar a vida dos rivais Palmeiras e São Paulo, que lutavam pelo título com o time carioca, que no fim acabou com a taça.

Time base que conquistou estadual de maneira invicta e Copa do Brasil em 2009: Mesmo 4-2-3-1 do ano anterior, porém agora com dois atacantes de ofício nos flancos, agredindo mais o oponente com a posse da bola e voltando acompanhando os laterais adversários sem ela.

2010 – Um centenário sem nada

O ano marcava o centenário do clube, por isso, muita expectativa em torno do que seria apresentado dentro de campo. Reforços experientes e tarimbados como Tcheco, Iarley, Danilo e principalmente Roberto Carlos, davam à torcida a esperança da conquista da Libertadores em seu centésimo aniversário.

A melhor campanha da primeira fase do continental só fez aumentar essa perspectiva, que logo veio abaixo, quando o time caiu perante o Flamengo nas oitavas de final. A fraca participação no Campeonato Paulista, somada a queda na Libertadores, fez crescer uma enorme pressão pela conquista do Brasileiro, para que o ano 100 não passasse em branco.

O time começou bem o certame nacional e liderava a competição quando Mano Menezes deixou a equipe para assumir a Seleção Brasileira. Adilson Batista assumiu e as coisas degringolaram no Parque São Jorge. De quando assumiu na décima segunda rodada até quando deixou o clube, na vigésima nona, Adilson não conquistou nem a metade dos pontos por ele disputados, foram 25 em 54, um aproveitamento de apenas 46% que culminou com a terceira colocação.

Tite assumiu a equipe, faltando apenas nove rodadas e a cinco pontos do então líder Cruzeiro. Conquistou 19 dos 27 pontos por ele disputados, um aproveitamento de 70%, que no fim não foi suficiente nem mesmo para o time ficar na segunda colocação e com a vaga direta na fase de grupos da Libertadores do ano seguinte, onde teria que passar pela fase prévia.

Base do time de Adilson Batista: saída do 4-2-3-1 para o 4-3-1-2, com Bruno César articulando e tendo o apoio constante dos volantes Elias e Jucilei, além dos laterais, que também apareciam para criar. Não funcionou e o time terminou apenas em terceiro no Brasileirão.

2011 – O início trágico e o fim consagrador

Com a fase prévia da Libertadores logo no começo do ano, a pré-temporada da equipe foi bastante comprometida e isso ficou nítido em campo. O time que encarou os colombianos do Tolima foi apático, desestruturado taticamente, sem poder de criação e de combate, e assim, o resultado não poderia ser outro que não a eliminação precoce e vexatória, sem sequer chegar à fase de grupos.

Em meio a um turbilhão, um principio de crise, torcida protestando com veemência (e até com violência) em frente ao Centro de Treinamento, Andrés Sanchez decidiu bater de frente com tudo e todos e manter Tite no comando do time. Enquanto o treinador se manteve, os astros se foram. Roberto Carlos partiu para jogar no Anzhi da Rússia (mesmo destino de Jucilei), enquanto Ronaldo anunciou sua aposentadoria – antes do Fenômeno, o ex-capitão William também já havia o feito.

Sem dividir atenções com nenhum outro torneio, o time foi até a final do Campeonato Paulista, mas acabou derrotado para o Santos na decisão. Após o novo fiasco, outros nomes como Bruno Cesar e Dentinho deixaram o grupo. Liédson (esse ainda no começo do ano), Emerson Sheik, Alex e Adriano, o Imperador, chegaram para integrar e fortalecer o clube para a disputa do Brasileiro.

Disputa em que o Corinthians largou a 1000 por hora, somando 28 pontos nas 10 primeiras rodadas, um incrível aproveitamento de 93,3%. Claro que o aproveitamento não se manteve o mesmo até o fim, mas o time se manteve nas primeiras posições e mesmo com alguns percalços no caminho, terminou o ano de maneira gloriosa, conquistando o campeonato Brasileiro, o quinto de sua história.

Com Tite, a volta do 4-2-3-1. Pressão na saída de bola, consistência defensiva e velocidade nas tramas ofensivas foram marcantes no time que levou o penta campeonato nacional.

2012, 1º semestre – A taça que faltava

Mais uma vez garantido na Taça Libertadores, dessa vez a postura do clube foi diferente das demais. Ao invés de reforços astronômicos e gastos absurdos, a diretoria optou por manter o grupo campeão brasileiro e trazer um ou outro nome apenas para crescer e fortalecer o elenco.

Em um grupo relativamente fácil, o Corinthians sobrou na primeira fase, com quatro vitórias e dois empates, segunda melhor campanha entre os 16 classificados, atrás apenas do Fluminense.

Nas oitavas de final, o emergente Emelec do Equador, que eliminou ninguém mais ninguém menos que o Flamengo na fase de grupos. Um empate sem gols na ida e uma vitória arrasadora por 3 a 0 no Pacaembu garantiram o Timão nas quartas, onde dessa vez iria encarar o vice campeão brasileiro, Vasco da Gama.

O confronto contra os cariocas foi sem dúvidas o mais perigoso na campanha alvinegra até o título. Em São Januário, um empate em 0 a 0 sob muita chuva. No Pacaembu, o gol único do triunfo que garantiu o Corinthians na fase seguinte só veio aos 43 da etapa final, em testada de Paulinho. Isso depois de Diego Souza ter perdido uma chance incrível, onde puxou o contragolpe, e frente a frente com Cássio tocou no canto, mas o arqueiro voou para evitar o gol que certamente colocaria a equipe cruzmaltina nas semifinais.

Semifinal que seria contra o atual campeão sul americano, o Santos de Neymar. Mas nem mesmo a “jóia” santista foi capaz de furar a muralha alvinegra na Vila Belmiro, onde com gol de Emerson, o Corinthians bateu o time da baixada na primeira partida do duelo. Na volta, Neymar até deixou sua marca, mas Danilo empatou e colocou o Corinthians na primeira decisão de Libertadores de sua história.

E não poderia ser contra qualquer um. Tinha que ser logo o temido Boca Juniors, que buscava sua sétima conquista, a quinta sobre um clube brasileiro. O primeiro jogo, na não menos temida La Bombonera apareceu um fator especial para os corinthianos, um talismã chamado Romarinho, que entrou na etapa final e fez o gol que garantiu o empate em território argentino – Roncaglia havia aberto o placar para os Xeneize. Na volta, dentro de um Pacaembu lotado, Emerson Sheik fez os dois gols que garantiram a vitória e a primeira taça Libertadores da história corinthiana.

Time campeão da Libertadores: a má fase de Liédson fez Tite abdicar da referência no comando do ataque, escalando Danilo no setor, de onde o camisa 20 invertia constantemente o posicionamento com Alex e Emerson.

2012, 2º semestre – Um mundo de loucos

Após a conquista da América, o trabalho de Tite era fazer com que o time não relaxasse no Brasileirão, mesmo estando já a quatorze pontos do líder à época, Atlético/MG. E que utilizasse o campeonato nacional como preparação para a disputa do Mundial de Clubes no Japão.

Nomes importantes na conquista continental deixaram o Parque São Jorge, casos de Leandro Castan, Alex, Willian e Liédson. Em contrapartida, outros bons nomes como Anderson Polga, Martínez e Paolo Guerrero se juntaram ao grupo alvinegro.

Com um plantel tão forte e tantos nomes para determinadas posições, Tite usou o Campeonato Brasileiro para buscar o time ideal. Girou, trocou peças, trocou formações, e no fim, como o próprio treinador disse durante todo o segundo semestre, “o campo falou” os onze que deveriam iniciar a disputa contra o Al-Ahly, do Egito, no jogo de estréia do Corinthians em solo japonês.

O mesmo 4-2-3-1 utilizado rotineiramente, com Douglas pela faixa central, Danilo e Emerson pelos lados na linha de três armadores postada atrás da referência, o artilheiro Paolo Guerrero, homem importante para o papel de pivô, retendo a bola no campo ofensivo aguardando a subida do time.

E mais importante ainda ao testar com maestria o cruzamento preciso e precioso de Douglas, com o lado de fora do pé, o chamado “cruzamento de três dedos”, marcando o tento único do jogo e assegurando o time paulista na decisão.

Decisão contra o poderoso Chelsea, que embora tenha chegado cambaleante para a disputa do Mundial, contava com muitos jogadores talentosos, capazes de decidir qualquer partida. E para tentar frear o mais talentoso jogador azul, Tite trocou Douglas por Jorge Henrique no time titular, saindo do 4-2-3-1 e adotando duas linhas de quatro, abrindo o baixinho pelo lado direito, para auxiliar Alessandro no combate à perigosa dupla Hazard e Ashley Cole.

Da mesma forma do outro lado, Danilo voltava para auxiliar Fábio Santos no combate contra Moses. Sem o mesmo fôlego do camisa 23, o veterano jogador por vezes acabou em deixar o lateral esquerdo no mano a mano com o 13 azul, que acabou sendo o responsável por um dos lances de maior perigo nos quarenta e cinco iniciais, quando bateu do bico esquerdo da grande área tentando tirar de Cássio, que voou e de mão trocada deu um tapa na bola. Antes, o goleiro corinthiano já havia feito milagre em finalização à queima roupa de Cahill, que ficou com a sobra após bate e rebate na área e bateu forte, mas parou no camisa 12.

A postura mais fechada do primeiro tempo, esperando um erro inglês para contragolpear, deu lugar a um Corinthians agressivo no começo do segundo tempo, controlando a posse da bola em sua intermediária ofensiva e tocando com paciência até achar o espaço para a conclusão. Foi assim no perigoso chute de Paulinho que passou à esquerda da meta de Petr Cech.

Foi assim quando o mesmo Paulinho tabelou com Jorge Henrique, invadiu a área e passou para Danilo. O camisa 20 deu um corte seco no lateral Ivanovic e bateu na saída de Cech, que tirou como pôde e jogou a bola pra cima, na cabeça de Guerrero, que ainda teve que tirar de três defensores azuis postados em cima da linha para estufar a rede e marcar novamente o único tento da partida. Único porque Cássio apareceu novamente, em lance que a bola sobrou para Fernando Torres sozinho na entrada da pequena área e o espanhol viu mais uma vez o goleiro corinthiano se agigantar para impedir o empate e praticamente assegurar o caneco para o Timão.

Na decisão contra o Chelsea, time postado num 4-4-1-1 com duas linhas de quatro para auxiliar no combate aos homens de lado azuis e Emerson pelo centro se aproximando de Guerrero, o pivô que o time não teve na Libertadores e que decidiu o Mundial.

Para delírio dos mais de 25 mil loucos que atravessaram e encantaram o mundo com sua devoção pelo time paulista. Um bando que não se calou durante os 180 minutos em que o time esteve em campo e que foi premiado com o segundo título mundial conquistado pelo Corinthians.

Parabéns ao Corinthians, que se organizou a partir do inferno para chegar ao céu e tomar o mundo. Parabéns ao torcedor corinthiano, que assim como esse que vos escreve, vivenciou todo esse caminho aqui descrito com muito amor e dedicação ao clube, ciente de que o grande dia chegaria. Chegou.

SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, BICAMPEÃO MUNDIAL DE CLUBES.

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