E se os times participassem do BBB? | FUTIRINHAS

E se os times participassem do BBB?

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Carismático, popular e barulhento, é daquelas pessoas que, ou você adora, ou não quer ver nem pintado de ouro (ou de roxo). Vivendo grande fase pessoal, profissional e financeira, comporta-se de forma bipolar. Nas rodinhas formadas à beira da piscina, ou dentro do ofurô, conta animadamente sobre a sua viagem a trabalho ao Japão, o quanto ele e os seus chegados incomodaram os hóspedes do hotel e como todos sabiam que eles estavam invadindo o karaokê, só de ouvir a sua algazarra dobrando a esquina. Até segunda ordem, a vida para ele é uma festa que não tem hora para acabar.

Mas quando a votação do paredão se aproxima, insiste em falar da sua origem pobre e sobre como sofreu para conquistar a menina mais linda da escola, que todos os colegas pegaram antes dele: o bom e velho marketing do sofrimento. Quando a ameaça passar, ele estará novamente todo serelepe, fazendo bagunça. Renderá bons momentos à edição do programa, quando levar à água o seu brinquedo mais novo: um vistoso patinho de borracha que apresenta certa predisposição a afundar.

De família tradicional, é daqueles caras que, mesmo quando não querem ofender, torcem um pouco o nariz quando veem o aeroporto cheio de gente que não costumava viajar de avião tanto quanto ele, ou quando notam a sua balada preferida tomada por gente que não é do seu convívio. Carrega essa incômoda fama de coxinha, mas está tentando melhorar e até andou fazendo das suas maloqueiragens, como quando se meteu em uma briga na qual botou um argentino folgado para correr.

É um empresário de sucesso, que sempre consegue se reinventar, mesmo que passe por algum perrengue entre uma época de fartura e outra. Do seu pai, um bonachão bebedor de Johnnie Walker, herdou a arrogância de achar que é “diferenciado”, o que só o torna mais parecido com os outros. Do seu tio, um chato e narigudo workaholic, a ética de trabalho lhe serve de exemplo. Resta saber qual influência falará mais alto durante o confinamento, no qual será mandado várias vezes ao paredão, pela dificuldade em criar “afinidade” com os seus pares. Uma coisa é certa: nada de farra debaixo do edredom. Ele não quer correr o mínimo risco de afogar o Ganso.

Seu escritório é na praia, mas ele tá sempre na área. Até bem pouco tempo atrás, era acusado de se limitar a viver do passado. De fato, esse senhor é dono de um temperamento deliciosamente nostálgico, cheio de grandes histórias para contar. Mas, por vezes, acaba se perdendo nelas e não se adapta aos novos tempos. A teimosia é incorrigível: mesmo quando a fase é ruim e ele está batendo um prato feito em um muquifo de quinta categoria, continua sempre sonhando em frequentar os melhores salões de baile do planeta.

Seu grande trunfo na disputa do Big Brother está fora da casa. No primeiro paredão para o qual for mandado, as meninas leitoras da Capricho olharão para a sua torcida e se apaixonarão pelo seu filho caçula, um moleque cheio de estilo. Estilo feio, mas estilo. A cada paredão, o garoto estará lá, com um penteado diferente, levando as adolescentes à loucura e fazendo de tudo para garantir a permanência daquele que sonham chamar de sogrão. Será o suficiente para levá-lo ao prêmio de um milhão e meio de reais? Se não for, a vida continua. O mesmo valor pode vir na base do “aqui é trabalho!”. Aposentadoria nunca está nos planos de quem trabalha de frente para o mar.

A cada gororoba cozinhada por algum companheiro de confinamento, ele lembrará com saudades da macarronada da nonna. Aliás, 2013 será um ano em que esse indivíduo terá saudades de muitas coisas. Pagará por alguns erros do passado, que acabaram com a sua saúde e lhe custaram o emprego. Ele não gosta de falar muito no assunto, mas no final do ano, terá um castigo bem maior do que ir parar no BBB. Resta saber se despertará compaixão ou escárnio quando contar o seu segredo, em meio à bebedeira de uma festa.

Serão tempos de recomeço para o rapaz, cujo apartamento novo está ficando pronto e as contas não param de chegar. A obrigação de aderir a um padrão de vida mais modesto, no entanto, ainda não o convenceu a abrir mão de seus barcos, seus maiores xodós entre o que ainda não lhe foi tomado (a honra já foi levada pelos credores, faz tempo). Sabendo que o pior lhe espera ao sair da casa, poderá causar algum estrago como franco atirador. Mas, com tantas preocupações na cabeça, é até difícil acreditar que ele vá longe no programa.  A única certeza é que, na manhã seguinte à eliminação, pegará um sol no Leblon, como se nada tivesse acontecido.

Muitos farão trocadilho com o seu nome e brincarão que ele chegou para criar polêmica e incendiar o ambiente na casa. Sendo que o sujeito está mais preocupado mesmo em não ser vítima de um raro caso de autocombustão. Afinal, tem coisas que só acontecem com ele. Sua fama de azarado é um pouco romantizada, mas não deixa de ser justificada. No BBB, provavelmente irá ao paredão logo de cara. Receberá o castigo do monstro toda semana. Só escutará notícias ruins ao atender o Big Fone. E, em um momento de breve distração, perderá a prova de resistência na qual lutou bravamente por quase 72 horas.

Não à toa, passará o tempo todo envolto em lamúrias. Todas as suas respostas às intervenções de Pedro Bial começarão com um suspiro profundo e desalentador. Se ficar nessa fossa, perderá a grande chance de conquistar a afeição do público, que costuma rir da sua desgraça, mas abriria um sorriso se o visse dando a volta por cima. Concentrar-se mais no jogo do que no que acontece fora dele é uma boa dica. Do contrário, a vaca irá novamente para o brejo. Ainda que seja holandesa e premiada.

“O Celso comprou, o Celso pagou, o Celso me deu, o Celso isso, o Celso aquilo…”. Bastarão alguns dias para que ninguém aguente mais as histórias que ele conta. Seu maior desafeto na casa até tentará espalhar o boato de que se trata de um amante. Maledicência. O tal Celso é apenas o padrinho coruja, que pegou o menino para criar quando seus pais já não davam mais conta de tantas despesas. Desde então, esse sortudo teve tudo do bom e do melhor. Um tanto ingênuo, já caiu duas vezes em um esquema de pirâmide ofertado por um golpista equatoriano, mas parece ter aprendido a lição.

Os invejosos ainda preferem encará-lo como um playboy, incapaz de fazer dinheiro, mas perito em gastá-lo. A verdade é que, enquanto muitos bem nascidos torram a fortuna de suas famílias com bobagem, esse cara tem conseguido tirar proveito do dinheiro fácil. Não se sabe, porém, se os seus sucessos recentes serão o suficiente para que ele passe a sobreviver com as suas próprias pernas. Nem como ele vai se portar caso perca a prova da comida e seja obrigado a passar algum tempo se alimentando na xepa. Será constantemente acusado de ser beneficiado pela produção do BBB, pois conta com a simpatia declarada do apresentador da atração.

Nos últimos meses, este cidadão está com várias contas atrasadas, perdeu a namorada, os amigos, brigou com os irmãos e parou de falar com os pais. Acumula dívidas, não se cuida direito e nem lava a louça que está acumulada na pia. A dúvida é se ele fez de sua vida um caos para tentar entrar no Big Brother de qualquer maneira, ou se fez de tudo para participar do programa porque está topando qualquer negócio para levantar uma graninha que dê um jeito nesse turbilhão de problemas.

Isso que dá se meter seguidamente com as pessoas erradas, até mesmo quando elas parecem ser as pessoas certas. Durante muito tempo, aceitou trabalhar para um gangster, pouco afeito a formalidades, à moral e aos bons costumes. Em nome do orgulho próprio, o descendente de lusitanos aceitava as ordens mais absurdas vindas do magnata, proferidas entre uma baforada de charuto e outra. Levava uma vida confortável, mas decidiu largar o estigma de fora da lei. Passou a trabalhar para um amigo querido, por quem nutria grande respeito, de quem não esperava um puxão de tapete. O tiro saiu pela culatra. Quem diria que, justamente ao se afastar da máfia, alguém estaria metendo a mão em dinamite?

Trata-se de um típico malandro carioca. Quanto mais encrenca arruma, mais querido parece se tornar. Quanto mais pula a cerca, mais mocinhas apaixonadas batem à sua porta. Como meritocracia nunca foi o forte do BBB (e tampouco do futebol brasileiro), não pode ser subestimado entre os favoritos ao prêmio. Mesmo que todos saibam que, se ele ganhá-lo, gastará tudo com bebidas, mulheres e carrões. O resto, ele desperdiçará, como diria George Best. Não bastasse a vocação para a boemia, tem a mania autodestrutiva de dar abrigo a amigos desajustados, que nunca tomam jeito, mas sempre tomam parte do seu salário.

Não que, vez por outra, ele não acabe encoleirado por alguém. Acaba de sair de um casamento horrível, que quase lhe levou à pindaíba. Mas já está apaixonado de novo e jura que dessa vez é para sempre, que achou a pessoa certa, que vai levar uma vida mais regrada, parar de comer fritura e encher a cara. Resistirá à tentação quando passar pelo primeiro boteco e for convidado a se sentar para tomar um trago? No confinamento, seu comportamento nas festas marcará a sua imagem junto ao povão. Seja como um cara sangue bom, seja como um imoral inconsequente.

Em uma casa repleta de sujeitos bem nascidos, emergentes ou desajustados, não será de se estranhar se esse aí cair no gosto popular. Uma pessoa comum, um filho de Deus, nessa canoa furada, remando contra a maré. Com o agravante de que onde ele mora, nem há maré para enfrentar. Identificação com o público é sempre um quesito fundamental para quem aspira ir longe no programa. Alguém que não se dá bem na vida há tanto tempo tem tudo para conquistar esse carinho. O problema desse cara será controlar as expectativas.

O longo tempo de espera por dias melhores faz com que ele sinta seu estômago embrulhando ao menor sinal de contrariedade. Por exemplo: se ele se apaixonar por alguma moça dentro do BBB, vai acabar num grude só com ela, sufocando-a por ter medo de vê-la escapar. Se ela não sorrir quando disser bom dia após uma das festas, ele criará teorias da conspiração, insistirá em discutir o relacionamento e tentará impor sua razão no grito. Forte e vingador sim. Obcecado e rancoroso, melhor não. Com alguma serenidade, 2013 pode ser o ano da virada para esse moço, pobre moço.

Mineiro come quieto. Esse aí, coitado, não come nada já há algum tempo. E está cada vez mais quieto. Não se encontra à beira do caos, como alguns. Mas também não está à beira de lugar algum. Ele anda tão apagado, que, ao ser confinado, sua ausência talvez nem seja sentida pela família. No BBB, também tende a passar despercebido. O que não deixa de ser um bom prognóstico, já que podem esquecer de mandá-lo para o paredão. Ou o público pode não dar a mínima para eliminá-lo quando ele for a julgamento.

Há quem diga que ele é mais esperto que uma raposa. Talvez por isso ande tão sorrateiro e sua presença só seja notada atualmente pelo macho-alfa de um galinheiro.

Fazendo uso de seu puxado sotaque, sempre gosta de se definir como imortal. Vez por outra, tenta colocar essa tese à prova, abusando da própria sorte. Como a brincadeira do copo ainda não é critério de seleção para o BBB (o que pode ser uma boa ideia para a próxima edição, algo meio Atividade Paranormal, o que ainda seria menos assustador do que algumas conversas que os participantes travam), ele ainda está vivo, é verdade. Mas já quebrou ossos demais para quem acredita piamente que viverá para sempre.

O fato é que não está morto quem peleia. Seu estilo aguerrido renderá algumas desavenças, mas ele nunca teve medo de cara feia (o que tornará sua entrevista pós-eliminação com Vinícius Valverde muito menos traumática). Para não depender apenas da força física nas provas do líder, resolveu bolar uma estratégia. Aliás, mais do que isso: um PÔJETO. Que os rivais estejam atentos. E que a produção da Globo fique alerta, pois a animada torcida desse participante promoverá uma avalanche na pequenina arquibancada do Projac.

Sabe aquele cara que parece fazer tudo como manda o manual, mas que há algum tempo não consegue tirar resultados práticos? Não, esse cara não é o Roberto Carlos. Não que o rei não siga a mesma cartilha há algumas décadas e isso venha dando certo até hoje. O gaúcho em questão tinha as contas sob controle, pagava seus funcionários em dia, contratava profissionais gabaritados, tinha clientes fiéis, mas a sua empresa parecia estagnada, o que lhe gerou uma insistente crise existencial.

Para tentar resolver isso, anda se cercando de rostos conhecidos. Mas às vezes, a afável namoradinha dos tempos de adolescência vira uma neurótica controladora. Aquele tio engraçado e jovial torna-se amargo e só resmunga pelos cantos. E convenhamos, não é porque o seu colega de faculdade era articulado e conciliador, que isso lhe transformaria automaticamente em um bom gerente. Com sua casa passando por reformas, cheia de poeira e entulhos, sua ida ao BBB servirá quase como um retiro espiritual, para que ele reflita no que vem errando. Chega com cara de coadjuvante. Mas Big Brother é Big Brother, e vice-versa, dizia um antigo desafeto, cheio de razão e ignorância.

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O texto sensacional é do Ricardo Henriques, o @calhau do Twitter. Texto retirado de seu blog no site da Trivela.

Ah, amigos, vamos curtir o texto e deixar as manias de perseguição de lado. São apenas linhas bem humoradas falando de vários clubes do Brasil, não é apenas o seu. Sejamos felizes!

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