Fala Edu – Obrigado, Seu Antônio

fala-edu-01

Amo o futebol. Mas amo ainda mais Seu Antônio, meu avô e seus quase 80 anos. Foi Seu Antônio que me ensinou a amar futebol. Seu Antônio é um sergipano muito trabalhador, que veio pro interior de São Paulo e vive lá até hoje, na longínqua Presidente Epitácio. Eu moro em Santo André e 700 km nos separam. A vida de Seu Antônio foi de muita luta na roça para criar seus 5 filhos (entre eles minha mãe) e sua grande distração (e prazer) era jogar futebol e truco. Contam meus tios e minha mãe que meu vô jogava muito e isso ouço desde pequeno. Ouço isso não só dos filhos dele, mas também dos amigos de longa data e dos parentes próximos que presenciaram meu vô jogando futebol.

Eu não tive tamanho prazer, mas das poucas vezes que vi meu vô com uma bola no pé, só o via dominando-a com um “toque diferenciado”. Para uma criança, aquelas histórias que me contavam sobre meu vô e ele mesmo contava dos seus jogos na juventude me enchiam os olhos. Nada melhor que uma criança ouvindo uma história para cria-la toda na cabeça. E meu vô, tão craque que era, também contava ótimas histórias de sua época jogando.

coluna-edu-01-obrigado-seu-antonio-011

Foi ouvindo meu vô que escolhi meu time, o Santos. Minha família é muito grande, tanto do lado do pai, quanto do lado da mãe, e em sua grande maioria formada por santistas. Meu vô sempre me contava as história que um negrinho e seus companheiros faziam pelos gramados afora de todo o mundo. Meus olhos brilhavam. Eu já gostava de jogar e de assistir, mas ouvir meu vô contando aquelas histórias que me faziam encher os olhos. Não deu outra, meu time sempre foi o Santos.

Meu vô não é daqueles caras que obrigam seus filhos e netos a torcerem pro mesmo time que ele, longe disso. Ele é daquele tipo de pessoa que se tem um time brasileiro em campo contra qualquer um de outro país, é pro time brasileiro que ele torce. Num jogo entre Corinthians e Real Madrid, pelo mundial de 2000, ouvi meu vô em alto e bom tom dizendo “Vou torcer pelo Corinthians, é o time brasileiro”. Nunca entendi. Por mais que tenha crescido ouvindo suas histórias todas as férias, eu também cresci com torcedores rivais se odiando. Mas meu vô é old school, da época do futebol romântico, onde o verdadeiro espetáculo era dentro de campo e só.

E eu peguei uma fase negra na história do meu time, o Santos foi campeão em 1984, ano que eu nasci e só o vi ser campeão de um torneio importante novamente em 2002, aos meus 18 anos. Eu fui um “Menino da Fila”. Vi o São Paulo conquistar o mundo duas vezes, vi o Palmeiras formar um esquadrão nos anos 90 com a Parmalat, vi o Corinthians com a Hicks Mulse montar um timaço e dominar o Brasil e não via meu time ser campeão. Mas vi e caras, foi do c&%*$&. Eu entendi aos meus 18 anos todo aquele sentimento que meu vô me contava nas suas histórias. A emoção de um título importante.

E como comecei o texto, eu disse que amo futebol. Amo o que esse esporte pode proporcionar (somente as coisas boas).

Um dia comprei o DVD do filme Pelé Eterno (sempre fui fã do Rei, até por tudo que meu vô me contava) e nessa época, meu vô passava férias na minha casa, já depois de um AVC que o impossibilitou os movimentos do lado direito e todos os dias, meu irmão e eu cuidávamos dele (seja pra fazer sua barba, pentear seu cabelo e fazer exercícios para que ele recuperasse os movimentos). Assistimos o filme juntos. Ali, naquele filme eu vi meu vô com os olhos marejados pela única vez que vi na vida. Senti aquela mesma emoção dele ao ver “aquele negrinho e seus companheiros” e o que ele fazia em campo. Com meu vô de testemunha, eu entendi tudo o que o nome Pelé significava pro futebol.

Eu não to aqui pra dizer que torcer pro Santos é a melhor coisa a se fazer, pra mim é, pro meu vô, pro meu irmão e pra muitas outras pessoas também. Tô aqui pra mostrar que o futebol é um esporte incrível, capaz de proporcionar emoções indescritíveis para nós todos. Cada um tem seu time e pra si, seu time é sempre o melhor.

Meu time é o Santos Futebol Clube e agradeço ao meu avô, Seu Antônio, por todas as histórias sensacionais que sempre me contou, por me fazer amar o jogo e as coisas maravilhosas que ele pode nos proporcionar. Sou santista, sou fã do Pelé e do Giovanni, mas meu Pelé sempre vai ser o Seu Antônio. Obrigado vô. Te amo!

coluna-edu-01-obrigado-seu-antonio

Comentários

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL
Pelada na Net
E-Consulters Web Não Intendo Tenso O Macho Alpha Testosterona Capinaremos Mentirinhas Will Tirando
Categorias
<