Quando a seleção brasileira virou apenas mais uma seleção qualquer?

Texto do Roberto Segundo no Testosterona Sports

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Existe um grande perigo em se fazer textos sobre a seleção brasileira nos dias de hoje. Eu posso cair no puro saudosismo e falar de chuteiras pretas, zagueiros que não tiram selfies, futebol pentacampeão do mundo e tudo mais. Posso descambar também para a pura e simples achincalhação do atual escrete canarinho, falando da geração sete a um e como este resultado foi, de fato, pouco.

Mas querendo fugir um pouco de todo o cenário criado quando o objetivo é falar mal de nossa equipe nacional, e este é um pouco o objetivo deste texto, proponho uma leve viagem no tempo. Não tenho noção da idade de todos que acompanham o Testosterona Sports, mas vou jogar aqui uma faixa entre os 18 e os 30 e poucos.

Então voltemos até uma época não tão distante, mas também nem tão perto, o saudoso ano de 2002 (eu estou fugindo da nostalgia, eu juro). Lembram do penta e de toda a alegria que nós sentíamos de acordar 3 da manhã para ver um jogo? Não estou falando do calçado dos atletas, nem de época sem falso 9 ou tik taka, mas da sensação que se tinha quando assistíamos um jogo da nossa seleção. Exatamente, era a nossa seleção.

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Esse sentimento hoje já não existe mais, existem os que preferem andar de camisa da Argentina, que compartilham uma imagem de algum esporte menos popular com os dizeres “essa é minha seleção”. Estas pessoas não estão erradas, de forma alguma, mas pra mim é ainda algo tão bizarro e surreal que a seleção pentacampeã do mundo sofra uma derrota tão grande fora dos campos.

Eu lembro quando o aviso de um simples amistoso era motivo de celebração, “o Brasil vai jogar” era que o dizíamos. Hoje até mesmo uma Copa América não desperta interesse nenhum na maioria dos fãs de futebol.

Paramos no tempo, nosso futebol está defasado e confuso. Queremos jogar o futebol da seleção de 70 ou de 2002, mas com jogadores que não fazem ideia do que é jogar isso. São garotos essencialmente criados na Europa, onde a técnica se destaca bem mais do que a malícia e malandragem típicas do nosso jeitinho. Nos recusamos a jogar o futebol atual, o único possível com os jogadores que temos na seleção.

Então, na tentativa de amenizar à aversão dos torcedores aos comportamento dessa geração futebolística, a fétida CBF busca a solução na nostalgia. “Vamos buscar o Dunga, era jogador turrão e os saudosistas vão gostar. Não deu certo, chama o Felipão, ele deu certo em 2002, foi só 12 anos atrás e com jogadores completamente diferentes, vai ser genial. Não deu certo? Chama o Dunga de novo, só pede pra ele não chamar ninguém de cagão dessa vez”.

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Mas esse descrédito não vem só por causa dos fiascos de 2006 e 2010 aliados ao 7×1. Existe algo de podre no reino do futebol brasileiro e eu nem preciso citar Teixeira, Marin e Del Nero, pois esses já estamos carecas de saber que são parasitas que sugam cada dia mais o sangue do já moribundo esporte nacional.

Quando começamos a achar posse de bola algo relativo para determinar a qualidade de uma partida? É cada dia mais comum vermos na análise pós jogo a porcentagem de quem ficou mais com a bola no pé, como se isso fosse um grande fator desempate. Sabe o que é mais importante que porcentagem? Bola na rede!

E desde quando se destacar na China, Ucrânia, time de meio de tabela de campeonato europeu é parâmetro? Jogou no leste Europeu nem devia ser convocado! Não é nenhum mérito jogar bem contra o Dínamo Zagreb ou Spartak, porra! Esse pensamento agregador de gente que gosta de ver time zebra chegar em final não cola comigo.

Junte isso à uma imprensa majoritariamente frouxa, cercada de apresentadores baba ovo com cara de cantores sertanejos, que só falam bem do time e quando ele cai metem o pau, pelo menos até o próximo amistoso contra o Congo que ganharmos, aí viramos potencia do futebol de novo.

Quer jogar futebol vistoso da seleção brasileira? Pois que chame então essa garotada do sub-20, os que despontam da série B (que tem sido bem mais agradável de assistir que a primeira divisão) e jogadores que de fato sejam craques nos times que jogam fora do país e que estes craques joguem em ligas competitivas.

Não querem fazer isso? Querem manter o que a Nike, Powerade e outros patrocinadores determinam? Tá ótimo, então chama um técnico decente, de preferencia estrangeiro, que sabe jogar como time europeu, de onde esse atletas estão acostumados. Nossos treinadores não fazem mais que um feijão com arroz e ainda assim tratamos os caras como se reinventassem a roda a cada convocação.

Que se pendure um cartaz na porta de todo vestiário que formos jogar com os nomes Mueller, Klose, Kroos, Khedira (KHEDIRA!) e Schuerrle.

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Enquanto isso não for feito, continuaremos a ser um timeco que não desperta interesse em ninguém. Um time que ganha e não convence.

Nas últimas semanas eu vi o Brasil perder 3 vezes: no sub-20, no feminino e na Copa América. Tanto a garotada quanto as mulheres deram o sangue e mereceram palmas de todos que os assistiam. A equipe principal, não.

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Parem de maltratar nosso manto, senhores. Devolvam ao futebol sua verdadeira glória e triunfo.

Esse foi apenas o desabafo de um torcedor que ama o futebol e ama torcer pelo Brasil.

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