Coluna do Atlético-MG #1 – O pé esquerdo | FUTIRINHAS

Coluna do Atlético-MG #1 – O pé esquerdo

Por Pedro Turambar, que escreve o blog O Crepúsculo

Eu vejo jogos de futebol desde que eu me entendo por gente, talvez até antes disso. Já vi coisas inacreditáveis, jogos épicos, reviravoltas inesperadas, momentos de pura loucura e insanidade. Mas nada, nada se compara a o que eu vivi no dia 30 de Maio de 2013. Nada se compara o pé esquerdo do goleiro Victor.

victor pé esquerdo

Ver um jogo de futebol no estádio é completamente diferente de ver na televisão, e nem estou falando de clima, torcida, emoção. Estou falando do jogo mesmo, das nuances e das coisas que só dá pra perceber ali no campo.

Por mais que a placa com as quatro eternidades travestidas de minutos já tivesse subido, eu ainda tinha um sentimento muito forte de que alguma coisa ia acontecer. Para o bem o para o mal. Quando o contra ataque do Atlético veio com Ronaldinho e Luan, disparando pela direita, meu coração aquiesceu. Para o bem. Sairia o segundo gol e o Horto explodiria. Só que Salcedo defendeu e eu senti o nó na garganta.

Quando o zagueiro do Tijuana deu mais um dos incontáveis chutões tentando encontrar qualquer coisa, eu olhei diretamente para o capitão atleticano, confiante que ele tiraria mais essa. Quando a bola raspou na cabeça do adversário eu tinha certeza que Leo Silva não chegaria a tempo. Antes da jogada terminar, minha perna já tremia. Aquela ‘sabedoria’ que você tem em um campo de futebol me disse “ou é pênalti ou é gol”.

A certeza veio quando o chileno apitou.

entramos em pânico

entramos em pânico

Anos vão se passar e muito ainda será dito sobre o silêncio do Horto durante os minutos entre o apito da penalidade e o pé esquerdo de Victor. Muitos tentaram descrever o que sentiram, o que não ouviram, e o medo estampado no rosto dos companheiros de arquibancada.

Eu confesso que não senti nada. Eu estava quase em estado de choque. Nada passava pela minha cabeça. Eu olhava as pessoas e não via ninguém, eu olhava para o campo e não via nada. Caiu no Horto tá morto. Nós morremos.

Só os mexicanos talvez, eles que têm uma relação muito particular com a Dona Morte. Não a temem. Pelo contrário.

Arce – melhor jogador disparado do Tijuana – se preparava para bater o penal quando Riascos, o melhor jogador do confronto, certamente um dos melhores da competição, pegou a bola. Queria se consagrar de forma completa. Não bastou os passes majestosos de trivela. Os lançamentos para Gérson nenhum botar defeito. Não bastou os dois golaços nos dois jogos. Riascos queria mais.

Eu ainda continuava meio perdido, os pensamentos começaram a voltar ao normal. Lembrei de muita coisa. Da sina do clube que amo tanto. Das vezes em que tive que me calar frente aos títulos que perdemos. Das derrotas sofridas. E do calvário atleticano que já dura tempo demais. E nunca doeu tanto como naqueles dois minutos. O pior de tudo, foi lembrar que Victor não é bom pegador de pênaltis.

Rua de fogo

Rua de fogo

Eu só não sabia que devia me lembrar do pé esquerdo do Victor. Que alguns minutos atrás havia milagrosamente salvo um gol certo do Tijuana.

Eu só não sabia que devia me lembrar que o futebol tem dessas coisas.

Todo atleticano no mundo morreu durante aqueles milésimos que se passaram entre a bola sair do pé direito de Riascos até ser rechaçada pelo pé esquerdo  melhor goleiro do Brasil, puta que pariu.

Eu entrei em estado de choque, enquanto do meu lado o estádio explodia, eu fiquei parado, olhando sem acreditar no que estava acontecendo. A primeira reação que eu tive, foi quando o jogo terminou, e eu comecei a chorar feito criança.

Morremos, e nunca na história do Atlético nos sentimos tão vivos como agora.

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